Brasil

ALGUMAS COISAS TEM QUE SER DITAS.

Fui recomendado a não opinar sobre política para não criar antipatia das pessoas.

Mas diante dos acontecimentos necessito falar algumas coisas, independente disso dividir opiniões, as quais tenho tentado entender e respeitar.

E pra inicio de conversa deixo claro que lamento o rompimento de Sérgio Moro com o governo, mais pela admiração pelo juiz que foi, e do nível de esperança que tinha nele como ministro e aspirante ao STF ou presidência mesmo, do que efetivamente pelos atos e resultados dele como ministro. Como tal, fez menos do que deveria, já que tinha grande popularidade e “carta branca” que foi sua exigência ao aceitar o cargo.

Eu mesmo já rasguei elogios pela inteligência, postura, eloquência e retórica de Moro, e não retiro nada, mas neste momento a palavra decepção é a que me vem na cabeça, por ser bom nas palavras e fraco nas atitudes. 

Enumero a seguir os erros que vejo dos dois lados, a começar pelo demissionário Sérgio Moro:

1. Não foi leal ao Brasil. Eu não esperava que ele pulasse do barco assim. Que saísse pela porta dos fundos, abandonando a missão, e atacando quem confiou 100% nele. Me decepcionou. Se ele realmente amasse mais o país que a sua carreira ou biografia, brigaria até o fim até ser então demitido. Sairia assim de cabeça erguida, de consciência limpa, e não como um insubordinado e covarde. 

2. Não cumpriu seu (novo) papel. Foi um juiz que fez seu papel na lava a jato (nada mais que a obrigação afinal era pago pra isso), mas enquanto ministro não teve nenhuma habilidade política e nem usou a autoridade do cargo como deveria. Mais se calou que agiu em defesa do governo. Demonstrou hesitação e fraqueza muitas vezes em episódios que devia ter agido de modo firme, que era o que se espera de quem se postula o “paladino da justiça”. Foi omisso em muitas coisas, em nome de ser politicamente correto para evitar desgastes pessoais. 

3. Foi conivente. Se o que ele falou é verdade, então é inegável que ele estava pecando por omissão há tempos, pois se via tanta coisa errada deveria ter sido firme, apresentado provas que sustentem seu discurso e não fizesse ilações ao se demitir sem apresentar provas de nada do que disse. 

4. Foi vaidoso. Sérgio Moro demonstrou que gostou de ser um “pop star” ao invés de manter a discrição necessária ao cargo, isso desde o seu tempo tempo de juiz. Fez questão de construir uma imagem de “super juiz”, recebia prêmios no exterior e dava entrevistas e palestras, e assim se catapultou ao sucesso, pois afinal qual pessoa vaidosa não iria gostar de entrar para a história como o juiz que decretou o fim da carreira de dois ex-presidentes? Ser nomeado ministro da justiça era um prêmio e um atestado de competência. 

5. Tinha segundas intenções. Fica claro agora baseadas nas suas aspirações futuras de chegar ao STF rapidamente e que viu depois que não seria bem assim. 

6. Foi inconsequente ao pedir demissão nesse momento, não levando em conta estarmos no meio de uma crise econômica, política e de saúde. Pensou mais na sua pessoa, e na mágoa de ter sofrido um “by pass” absolutamente normal e legal do seu chefe. Ratificou a impressão que temos que os juízes tem imensa dificuldade em se subordinar, pois se acham a representação máxima da lei.

7. Quis ser maior que o rei. Achou que estaria intocado na sua posição, confundiu “carta branca” com o direito inalienável do seu gestor de intervir SIM, de aprovar ou reprovar nomeações e medidas, e simplesmente esqueceu que aceitou o cargo de colaborador de um cara de carreira militar que vem da cultura de hierarquia, subordinação e de “missão dada, missão cumprida”.

8. Sergio Moro foi fraco ao sair assim. É como aquele colega de escola, filho de boa família, rico, educado, recatado e cheio de não me toques, que não entra em campo pra jogar bola com a turma porque se acha bom demais pra dividir uma bola com o moleque da comunidade e se alguém chama ele na briga ou lhe dá uma canelada, ele corre pra casa.

9. Estragou sua imagem. Moro perdeu a chance de se consolidar como um sucessor perfeito, quem sabe até melhor que o presidente, por agir com o fígado e orgulho ferido. Um burocrata sem habilidade política nenhuma, que não entendeu a diferença entre dar sentenças a um réu e ter que ser um cara da ação que vai prender o bandido. 

10. Mentiu. Se havia interferência do presidente, então porque em entrevista ao Roda Viva disse que isso não existia?

Em suma, Sérgio Moro não soube fazer a transição do modus operandis do judiciário para o executivo e da política, são dois mundos completamente diferentes. 

E do outro lado?

1. Um presidente desesperado tentando manter as coisas debaixo de seu controle absoluto. O que é impossível. Ainda mais no Brasil. 

2. Um homem acuado, que foi traído e abandonado por aliados que nele se apoiaram para se projetar e hoje se tornaram inimigos declarados. 

3. Duro e sem tato, atropela tudo que vê como ameaça, em nome de se manter fiel às suas promessas de campanha.

4. Sempre na defensiva pois é atacado 24h por dia por ter sido o único a ter PEITO pra enfrentar os poderosos, não comprando e nem negociando com ninguém pra dar jeitinho.

5. Carrega um fardo familiar. Tem filhos que mais atrapalham que ajudam. Filhos que podem ter sim cometido erros, e que podem ter que obrigá-lo a decidir entre seu papel de pai ou de presidente.

6. Tornou-se refém de um “super ministro” que só fazia o que lhe parecia melhor (a exemplo do Madetta). Tudo que pedia ao ministro ou seus subordinados era feito caso fosse conveniente. Estava lidando com “estrelas” que se negaram a serem dirigidos por um chefe de estado. 

7. Sem filtros. Acusado de intervenção política ou de agir em defesa dos filhos, expôs claramente que não se sentia atendido pela equipe do ministro, que não caminhavam na mesma direção, que foi chantageado e que não aceitou esse tipo de jogo, e que apesar de ter tentado, não foi capaz de lidar com tanta vaidade e com falta de cooperação. 

Enfim, uma perda importante, mas jamais irremediável, e jamais insubstituível, pois um governo tem que ter o mesmo discurso em todos os escalões. Aliás nesse aspecto o PT era muito coeso, só que no caso, para o mal.

As pessoas tem que entender que um ministro é um EXECUTOR DE PLANOS, que deve lealdade, obediência e alinhamento ao seu chefe. Parecem que ignoram que é papel de um presidente montar sua equipe, e que ele não tem que engolir sapo de ninguém, pois o cargo de presidente é dele, e é sobre ele que recai tudo.

Imagina se você aturaria um funcionário que quer mandar mais que o patrão, por melhor que ele seja. Que seja a estrela que só faz o que quer. Que destoa da linha de pensamento da equipe. Você aceitaria? Duvido. Não vamos ser hipocritas!

E a polícia federal é independente, ok, mas deve sim reportar o que faz ao presidente. Não pode simplesmente se posicionar como autarquia isolada e que não segue direções. 

Não considero Bolsonaro perfeito, longe disso. Lhe falta tato e preparo muitas vezes. Não concordo com tudo que ele diz e faz, mas reconheço que ele está tentando acertar e não roubar. E que está lidando com uma corja de gente cheia de ódio, desonesta, mentirosa, manipuladora e até assassina (ou já esqueceram que quase mataram o então candidato Jair Bolsonaro?) 

Reconheco que ele precisa mais flexibilidade em algumas coisas, mas fazer o que é certo e governar significa desagradar muitos interesses e vaidades. Especialmente quando se enfrenta gente poderosa, que faz de tudo para desacreditá-lo.

Eu julgo um homem não pelo o que ele fala, mas pelos inimigos que tem… Quem são os inimigos declarados do presidente? Olha lá e me diz se são gente que presta… Globo, Folha, Maia, Alcolumbre, Doria, Joyce, Frota, etc, etc, etc… 

E queriam ou não, o tempo vai mostrar quem tem ou não razão.

E de tudo que vejo, o presidente ainda é o único que vejo não agir de modo previsível. O resto aos poucos vão mostrando que são mais do mesmo.

Autor: Paulo Vaz

7 Replies to “ALGUMAS COISAS TEM QUE SER DITAS.

    1. e agora não é mais herói! falsidade, Mouro não poderia abrir mão da independência da PF para FAVORECER ALGUNS DEPUTADOS, que chamaram a população as ruas, pois assim seria a mesma coisa de defender a articulação do pt e pf , PF é e tem que ser imparcial em suas investigações, estavam querendo que o ministro agisse com dois pesos e duas medidas, ser imparcial é ser imparcial nos dois casos, neste foi pior ele confiou em um Presidente sem palavra

  1. Eu acho que devemos opinar sobre política sim, desde que somos capazes de fazê-lo através do senso crítico.
    Tenho uma experiência pessoal familiar, a minha mulher quase sempre que me trás uma informação eu já estou ciente do assunto, a diferença é que eu sempre pergunto, onde você leu esta matéria? Daí se eu a contesto ela apela para o emotivo, e se eu disser a minha versão e ela notar alguma contradição, melindra! Para contornar eu respondo já tenho esta informação, mas, a versão sempre difere e acaba o diálogo.
    A antipatia entre as pessoas é comum a inversão das afinidades é Intrínseca entres até as pessoas de um mesmo clã! Na política temos a esquerda e a direita como exemplos e o Bolsonaro e Moro é o atual e mais clássico deles!
    Um atuou no Legislativo e o outro no Judiciário e nenhum deles no Executivo; e a ausência de experiência e formação acadêmica específica nesta área do saber entre ambos não interferiu no exercício do Ofício.
    O menos graduado demonstra mais capacidade ante aquele que detém um título acadêmico. Desconheço o fato de algum cientista político ter sido Presidente de algum País e até discordo do título “cientista” em si porque se for válido a filosofia e a teologia, por exemplo, tem inúmeros cientistas nesta área do saber, e não conheço um com tal título!
    Eu posso usar como um exemplo similar a caso do Senado e da Câmara, visto que ambas as “Casas” são presididas por pessoas com formação apenas de segundo grau e se chegarem a Presidência podem até receber o título de Doutor, Honor is Causa, “por causa de honra”, como o Lula, por exemplo, assim como o Presidente que também não detém nenhum título de formação acadêmica poderá também ser diplomado, diferente do Moro! O caso mais cômico é do Juiz Presidente do SFT, pois o mesmo sequer aprovado na prova para o curso da OAB; cargo este que deveria ser estrito apenas para Desembargadores.
    O Presidente dá Republica nunca conseguiu se eleger presidente da Câmara e em apenas um ano de mandato superou todos os seus antecessores e quebrou a hegemonia política na América Latina.
    Eu por exemplo julgo um homem pela capacidade que ele e não apenas pela formação que ele detém.
    O Moro pode ser um excelente Juiz, mas, nunca será um ótimo Presidente, ele mesmo provou isto.
    O que vai haver a partir de agora será uma distinção na direita visto que aquele é de direita continua sendo e apoiando o Presidente e quem apenas esteve de “direita” vai ficar sem representante até surgir outro.
    Acredito que houvesse uma eleição hoje entre o Bolsonaro e o Moro, não teria segundo turno, o Presidente seria eleito! Assim penso que será em 2022 independente dos candidatos.

  2. colocação perfeita .Temos que apoiar Nosso Presidente e ir em frente, e ficarmos atentos a tudo e a todos .Porque há muitos que só querem a mal para o Brasil , e não podemos permitir que isso aconteça.!

Deixe o seu comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.