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QUE O NOVO GATO DA PGR PEGUE OS RATOS DE BRASÍLIA

A escolha de Augusto Aras para Procurador-Geral da República foi uma vitória do estamento. Na vida real das articulações políticas, Jair Bolsonaro não teve muita opção para decidir pelo nome de quem terá poder até para denunciá-lo por algum crime capaz de lhe tirar da Presidência da República. A petelândia aparelhada na PGR amou a opção por Aras. Mas quem conhece o indicado ressalva que ele teria assumido o compromisso de escalar procuradores com perfil conservador em sua equipe. Aras também promete “destravar a infraestrutura”, resolvendo problemas de licenciamentos de grandes obras.

O novo Procurador Geral da República terá de mostrar que veio para combater, de verdade, o Crime Institucionalizado. Se ele não agir no esquema doa a quem doer, ampliando e não freando o a atuação anti-corrupção, Bolsonaro é quem vai sofrer um desgaste que pode inviabilizar seu futuro político no médio prazo. Na realidade, o futuro titular da PGR sofrerá pressão para seguir aquela máxima pragmática do comunismo chinês. Não importa a cor ideológica do gato; o importante é que ele pegue ou mande pegar os ratos…

A missão é complicada. No Brasil, cuja estrutura estatal viabiliza a corrupção sistêmica, é sempre forte a tendência à impunidade (para proteger a zelite criminosa) e ao rigor seletivo (para punir os inimigos de ocasião). A Procuradoria Geral da República é o instrumento estatal que promove a ação ou a inação contra o Crime. Na vida real, PGR e o Supremo Tribunal Federal são os poderes de fato. O resto, por mais que “possa”, é coadjuvante. Principalmente o povo – que tem poderes originários e de pressão.

Bolsonaro foi eleito com o compromisso popular de combater a corrupção. Por articulação genial de Paulo Guedes, conseguiu convencer Sérgio Moro a deixar a magistratura para encarar o desafio do Ministério da Justiça a Segurança Pública. No momento, as pesquisas mostram que Moro tem avaliação ótimo/bom melhor que Bolsonaro. O placar é 54% para Moro e 29% para Bolsonaro. No momento, Moro é o “Mito” mais popular, o que não garante que seja o “mito” mais forte… A fragilidade é a canetada do Diário Oficial…

O combate à corrupção no Brasil, com a implantação de instrumentos cidadãos diretos de controle da máquina estatal, é uma maratona. É um jogo de xadrez para botar bandido no xadrez… Os segmentos esclarecidos da sociedade precisam ampliar seu raio de pressão. Devem observar, atentamente, no sempre instável tabuleiro, os movimentos do “Rei” (Bolsonaro), da “Dama” (PGR), da Torre (Moro?), do “Cavalo” (Os militares) e dos “Peões”. Há muitas trincheiras nesta guerra assimétrica contra o Crime Institucionalizado – que se reinventa depois das pancadas levadas na Lava Jato e afins.

O momento demanda estratégia. Exige independência e capacidade de crítica construtiva, doa a quem doer. A partir de agora, a capacidade de liderança de Bolsonaro será colocada à prova de modo intenso. Vale repetir: Por enquanto reina muita confusão em um governo no qual cada grupo parece cuidar muito bem de seu quadradinho, tendo apenas um compromisso retórico com o resto da administração. Bolsonaro tem de unir seu time, prestigiar Sérgio Moro (mais popular que o Presidente), ouvir mais os militares e partir para o enfrentamento do Mecanismo (ou acabará fritado pelo corrupto estamento).

A margem para erro é muito pequena. O governo avança pelo nono mês… Logo o primeiro ano acaba… O casamento com a popularidade já entra na fase de desgaste… O Presidente já é obrigado a fazer mais do que fala… A agenda positiva terá de ser cumprida… Bolsonaro tem de entregar o prometido, em meio ao claro pacto firmado com o Supremo, o Senado, a Câmara e a PGR… Bolsonaro sancionou a Lei de Abuso de Autoridade com 19 vetos… Será que agradou a gregos e goianos?

Por enquanto, a Oclocracia segue fazendo a festa… O estamento criminoso está aí, firme  e forte, para atrapalhar o Presidente… Sérgio Moro tem de resistir… A turma da Lava Jato, também…

Bolsonaro ainda vai apanhar muito. A paulada vira por todos os lados, inclusive por dentro do próprio governo… Assim, haja águia para governar tanto pombo. Haja gato para pegar tanto rato. Haja água para dona onça beber…

Jorge Serrão é Editor-chefe do Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos e Membro do Conselho de Fundadores do INSTITUTO AVANÇA BRASIL

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 6 de Setembro de 2019.

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