Educação

GERAÇÃO PERDIDA

Eu, que sou um leitor voraz, adoro Ernest Hemingway. Acho “Adeus às Armas” e “Por quem os sinos dobram” dois dos mais belos livros já escritos em toda a história da humanidade.

Hemingway fazia parte da chamada “geração perdida”, nome que qualificava um grupo de intelectuais, artistas e escritores que morava em Paris no final da Primeira Guerra Mundial. O nome “geração perdida” se deu devido à percepção geral de que essa geração de pessoas (essas de quem falei) estava sem direção, após a guerra, e ainda com a vinda da Grande Depressão (que levou à quebra da Bolsa de Nova York, em
1929.

Esse clima “niilista” é retratado por Hemingway na obra “O Sol também se levanta” e “Paris é uma Festa”, e em um belo filme de Woody Allen chamado Meia-Noite em Paris, com Owen Wilson e Rachel McAdams, que recomendo para quem ainda não assistiu.

Tomando emprestado esse nome, que até certo tem um “quê” de romântico, temos atualmente no Brasil uma “geração perdida”, que são os nascidos nos anos 2000 ou até um pouco antes, e que foram alfabetizados sob o Estado Petista, estudando nos colégios públicos, e que agora estão com seus 18/20 anos, ou até um pouco mais.

Hoje nós vimos, ao vivo e a cores, os integrantes da “geração perdida”, que foram às ruas.

Eles foram às ruas para protestar contra “o corte de 30% na educação”, sem saber que é 30% de 12% (que é o percentual das despesas discricionárias), que totaliza apenas 3,5%, e sem saber ademais que não é corte, mas sim contingenciamento.

Eles foram às ruas para pedir a soltura de Lula e a queda de Bolsonaro.

Eles foram às ruas dizendo que estão fazendo “greve” para uma melhor educação.

Eles foram às ruas acompanhados do MST, que também pedem mais educação.

E, principalmente, eles foram às ruas com faixas de frases políticas, como essa que diz que apenas a educação “trazerá” crescimento.

Um dia esses jovens terão que procurar emprego e se sustentar sem a ajuda dos pais ou familiares. Eles terão que entregar currículos, se submeter a entrevistas por profissionais de RH, participar de dinâmicas de grupo, ou aprender a se virar sozinhos, como profissionais liberais.

Terão contas para pagar, família para sustentar, satisfação para dar para alguém que paga os seus salários…

A “geração perdida” dos anos 20 era constituída por gênios antissociais, que simplesmente não conseguiam se adaptar ao mundo traumatizado do pós-guerra. Mas, repito: eram gênios.

Mas e a nossa “geração perdida” que foi às ruas hoje? O que será deles?

Guillermo Federico Piacesi Ramos, 15/05/2019

Deixe o seu comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.