Brasil

Esclarecendo o caso da jornalista do Estadão

Como parte do meu trabalho como documentarista investigativo, investiguei vários tópicos, em vários países: homossexualidade e prostituição no Vietnã, os filhos de centros de eliminação de lixo em Madagascar, o “presumível” fim do apartheid na África do Sul, a primavera árabe no Marrocos, a exploração de migrantes indocumentados em estufas espanholas, a luta de Cocaleros e Evo Morales na Bolívia, as indústrias farmacêuticas diante da doença de Chagas, a liberdade dos artistas de enfrentar o fundamentalismo … Desde alguns meses, investiguei com minha equipe (jornalistas, sociólogos e estudantes-pesquisadores) as seguintes questões:

Como a mídia molda e distorce nossas vidas e nossa percepção da realidade?

E quanto ao trabalho de jornalistas que nos entregam informações diariamente? Até que ponto os jornalistas podem ir para se tornar conhecidos, se tornar famosos, subir a escada?

Uma pesquisa realizada em vários países, incluindo o Brasil, que sofreu escândalos de corrupção no mais alto nível do estado.

Uma investigação de jornalistas da esquerda, da direita, do centro, de todas as tendências.

Eu não conheço pessoalmente Constança Rezende, mas sua perseverança contra o presidente brasileiro e sua comitiva, da qual eu não sou, a propósito, um grande fã, nos intrigou, nos questionou … fez dela um “sujeito” perfeito para estudar de perto.

Queríamos expor, entender como alguns jornalistas constroem sua credibilidade ao relatar rumores, histórias, opiniões e fatos sem, às vezes, ou com frequência, verificar a validade antes de transmiti-los ao maior número, por falta de tempo. É a corrida para quem entrega o furo, que faz o burburinho … por mais rentabilidade, para oferecer um retorno sobre o investimento aos seus proprietários, que colherão lucros às custas da INFORMAÇÃO.

Constança Rezende, como muitos jornalistas infelizmente, estão hoje a serviço de empresas de “difusão” da informação, cujo leitor, o telespectador é um produto simples, vendido aos anunciantes em busca de clientes. O “tempo do cérebro humano disponível”, de acordo com a expressão formulada em 2004 por Patrick Le Lay, então CEO do grupo TF1, que vendeu, segundo ele, para a Coca-Cola “tempo do cérebro humano”.

Nestes últimos dois dias, aproveitei para ler as reações um do outro. Muita informação falsa sobre o assunto, muitas fantasias. Eu nunca mencionei os nomes das pessoas que colaboraram comigo. Isso é chamado de “proteção de fonte”, de todas as pessoas que contribuem diretamente para a coleta, escrita, produção ou disseminação de informações, através de um meio, para o benefício do público.

Meu blog não envolve a responsabilidade editorial e legal da Mediapart, que me oferece um espaço de informação, debates, trocas e discussões, respeitoso da liberdade de expressão.

A Mediapart disse no Twitter que a informação publicada em seu site era falsa, eu os convido a perguntar, a cavar como costumam fazer, antes de fazer tal julgamento, questionar nossa investigação e nossa integridade. Como eles podem alegar que minhas informações ou fontes são falsas quando não têm informações? Eles têm o direito de expressar sua solidariedade para com o jornalista em questão, mas não questionar meu profissionalismo ou o da minha equipe. Não é porque o artigo é, neste caso, favorável a Bolsonaro, que eles têm o direito de se levantar como defensores de uma jornalista acusada.

Alguns meios de comunicação brasileiros me acusam de publicar informações falsas, convido-os a perguntar aos interessados. Pessoalmente, eu apenas informei o público. Eu sou tão livre quanto Constança Rezende para publicar minha investigação com base em fatos reais e verificados, bem como em evidências físicas, como gravações de áudio.

Eu não esperava esse aumento da mídia na twittosfera, mas isso prova que, todos os dias, o público forma opiniões, pontos de vista, preconceitos, sobre seus parentes, vizinhos, sobre produtos vendidos. no supermercado, na política, na ecologia, religiões … no que lhe diz respeito de perto ou de longe. Em suma, podemos dizer facilmente que os jornalistas estão em toda parte à nossa volta.

JAWAD RHALIB

Escritor, cineasta, documentarista e jornalista profissional, Jawad Rhalib dirige seu trabalho em questões relacionadas ao realismo social. Escreve e dirige longas-metragens de ficção e documentários, de curta, média e longa metragem, de autor e investigador.

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