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Ministério da Justiça diz que já identificou um dos autores de ameaças a Jean Wyllys. Marcelo Mello foi preso em 2018 e já foi condenado por crimes como racismo, terrorismo e divulgação de pedofilia na internet

O Ministério da Justiça declarou em nota divulgada neste sábado que foram instaurados diversos inquéritos pela Polícia Federal para apurar as ameaças ao deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e que já identificou um dos autores, Marcelo Valle Silveira Mello, preso desde o ano passado.

Jean anunciou nesta semana que não vai assumir seu novo mandato de deputado federal devido às ameaças e que irá morar fora do Brasil.

Marcelo já foi condenado pela Justiça Federal do Paraná a 41 anos de prisão por crimes como racismo, terrorismo e divulgação de pedofilia na internet. Ele foi preso em maio de 2018 na Operação Bravata, da Polícia Federal.

“Ao longo de 2017 e 2018, foram instaurados diversos inquéritos pela Polícia Federal para apurar ofensas e ameaças contra o deputado federal Jean Wyllys. As investigações estão em andamento, mas já foi possível identificar um dos autores, Marcelo Valle Silveira Mello, preso em 2018, membro do grupo autointitulado ‘Homens Sanctos’, e que se servia da identidade de Emerson Setim para fazer ameaças ao deputado”, diz trecho da nota.

O Ministério da Justiça afirmou ainda que “repudia a conduta dos que se servem do anonimato na internet para covardemente ameaçar qualquer pessoal e em especial por preconceitos odiosos”. “Lamenta-se a decisão do deputado de deixar o país, mas não corresponde à realidade a afirmação de que há omissão das autoridades constituídas”, conclui a nota.

A decisão que condenou Marcelo aponta fatos criminosos como enviar ameaças de morte a um delegado da Polícia Federal que o investigava e enviar e-mails ameaçadores à embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

“Inequívoca, portanto, a sua periculosidade, sendo o acusado verdadeira ameaça à ordem social, se solto, não só na condição de autor de delitos como divulgação de imagens de pedofilia, racismo e líder de associação criminosa virtual, mas também como grande incentivador de cometimento de crimes ainda mais graves por parte de terceiros, como homicídios, feminicídios e terrorismo”, escreveu, na sentença, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba. A defesa de Marcelo negou as acusações e disse que iria recorrer da condenação.

O GLOBO revelou na sexta-feira o teor de algumas das ameaças feitas a Jean. Em um longo e-mail enviado a ele em dezembro de 2016, o autor afirmou: “Você pode ser protegido, mas a sua família não. Já pensou em ver seus familiares estuprados e sem cabeça?” Poucos dias depois, o mesmo remetente enviou para o e-mail de Wyllys e de seus irmãos dados como endereços de todos, placa de carros, entre outras informações que mostravam conhecimento sobre a família.

Quem é Jean Wyllys:

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