Alckmin e Haddad entram na mira da Lava-Jato em São Paulo

Embora ainda não tenha alcançado nomes de peso, como aconteceu no Rio e no Paraná, a Lava-Jato de São Paulo chega a 2019 com a mira voltada para políticos das cúpulas partidárias de PT e PSDB . Entre os alvos dos processos que vão se desenrolar ao longo do ano estão o ex-governador Geraldo Alckmin e o ex-prefeito Fernando Haddad.

Em um ano e cinco meses de trabalho, ninguém foi condenado na Lava-Jato de São Paulo, que se divide entre o Ministério Público Federal (MPF) e o MP estadual. Os procuradores federais ofereceram quatro denúncias. Já no âmbito estadual, há pelo menos 15 inquéritos em andamento e sete acordos com empresas.

Alckmin e Haddad são citados por delatores como beneficiários de caixa dois para campanhas eleitorais passadas. Após o fracasso nas eleições de outubro, ambos terão que se defender sem foro privilegiado.

O tucano terá que esclarecer, já no início do ano, a citação de seu nome em esquema de doações de R$ 4,5 milhões via caixa dois da CCR para sua campanha ao governo paulista em 2010. A concessionária fez acordo com o Ministério Público Estadual e se comprometeu a pagar R$ 81,5 milhões.

Para o acordo ser homologado, é preciso provar o que a empresa contou. Por isso, os promotores devem ouvir também o operador Adir Assad, que denunciou o esquema, além de testemunhas que atuaram como intermediárias dos repasses.

Além de Alckmin, também foram citados como beneficiários de caixa dois da CCR o senador José Serra (PSDB), a ex-ministra Marta Suplicy (MDB) e o ministro Gilberto Kassab (PSD). Todos negam as acusações.

Em novembro, quando o acordo foi revelado, Alckmin disse que jamais recebeu recursos da CCR e que o financiamento de suas campanhas eleitorais sempre foi feito de forma legal e sob fiscalização da Justiça.

O ex-governador tucano também é alvo de ação de improbidade do Ministério Público Estadual sob a acusação de receber R$ 7,8 milhões de caixa dois da Odebrecht para a campanha de 2014. A ação foi apresentada no meio da campanha eleitoral. À época, a defesa de Alckmin disse que a peça apresenta “fragilidade técnica, irregularidade e ilegalidade”. Alckmin negou ter recebido recursos de forma irregular.

DERSA PREOCUPA

No MPF, o caso que mais preocupa o entorno de Alckmin e de outros tucanos é a investigação sobre a Dersa, empresa de obras rodoviárias do estado com cerca de R$ 15 bilhões em contratos suspeitos.

Os procuradores apostam na cooperação internacional com a Suíça para repatriar R$ 113 milhões em contas no exterior atribuídos ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, apontado como operador de propinas. Eles acreditam que isso ajudará a identificar o caminho do dinheiro para campanhas do PSDB.

Um segundo flanco dos procuradores envolve outros ex-executivos da Dersa. Denunciado por fraude, o ex-diretor Pedro da Silva tem empresas que movimentaram R$ 50 milhões em depósitos em espécie, feitos por pessoas que não tinham renda para isso. Assim como Paulo Preto, ele foi solto pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Outro ex-presidente da Dersa, Laurence Casagrande é réu numa ação que investiga aditivos nas obras do Rodoanel. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), o prejuízo teria sido de R$ 235 milhões. Os três afirmam ser inocentes.

Pedro e Paulo Preto foram sondados sobre a possibilidade de fazerem delação premiada, mas as conversas esfriaram depois que foram soltos pelo Supremo.

Já Haddad é acusado de ter recebido R$ 2,6 milhões da UTC para pagar dívidas de sua campanha à prefeitura de São Paulo em 2012. No fim de agosto, o Ministério Público entrou com uma ação de improbidade contra o petista. O ex-prefeito sustenta que a denúncia não apresenta provas e é uma tentativa de “reciclar” a delação de Ricardo Pessoa, que o petista classifica como sem credibilidade. A defesa do petista lembra que, enquanto era prefeito, Haddad contrariou interesses da empreiteira ao cancelar as obras de um túnel.

Já condenado na Lava-Jato de Curitiba e alvo de processos no Distrito Federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também está na mira do MPF paulista. No mês passado, procuradores o denunciaram sob a acusação de lavagem de dinheiro, por ter recebido R$ 1 milhão, na forma de doação para o Instituto Lula, após influenciar decisões do presidente da Guiné Equatorial. O ex-presidente nega.

Fonte: https://oglobo.globo.com

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