Política

Bolsonaro: uma perspectiva brasileira – com Eduardo Platon, membro ativo e consultor de política do Movimento Avança Brasil

EP: O quadro político brasileiro está progredindo. Alguns pensam que estamos indo para trás, mas eu vejo de forma diferente. Posso ver como finalmente estamos lidando com uma série de problemas econômicos, financeiros, sociais, culturais, internacionais e ambientais que nos afetam há muito tempo.
O Brasil é um país cristão, com cerca de 60% de católicos e 25% de cristãos evangélicos. A família brasileira presta muita atenção ao comportamento dos políticos. Essa é uma das razões pelas quais Bolsonaro recebeu tanto apoio público. Quando olho para mim mesmo, no meio de tudo isso, estou sinceramente feliz. Durante trinta e três anos, desde o fim da ditadura militar em 1985, fomos governados por líderes de esquerda. Alguns deles eram mais moderados, outros mais extremos. Este país pode aprender lições com a grande transição de poder, como outros países da Europa e da Ásia, por exemplo. Podemos ver o que foi alcançado nos últimos trinta anos, mas também criticar e ajustar várias premissas.

MD: Você votou em Bolsonaro. Você pode me dar as principais razões pelas quais você o escolheu sobre outros candidatos, como Haddad do Partido dos Trabalhadores?

EP: Eu moro [atualmente] no Brasil e sinto a pressão. Eu sinto como as pessoas têm medo de sair, eu sinto o quão ruim o sistema político se tornou. Estamos falando de segurança, sim, mas também da falta de respeito que as pessoas têm umas pelas outras, como as pessoas interagem umas com as outras.

EP: A esquerda criou discórdia em nosso país. Antes de Lula (o ex-presidente da esquerda do Brasil, agora preso pela corrupção, ed.) Este país não foi dividido entre os que têm e os que não têm. Brancos contra negros. A comunidade LGBTQ. Os líderes da esquerda introduziram essa discórdia na sociedade, essa distinção nunca foi tão importante no passado.

EP: Vamos falar de segurança. 63.000 pessoas por ano são assassinadas no Brasil. Por ano. Mais pessoas são mortas no Brasil do que em zonas de conflito como o Iraque. É triste ver como um país como o Brasil, com tão grande potencial e tanta riqueza, é mal administrado, na minha opinião.

EP: Veja o número de agentes mortos, há mais do que em qualquer outro lugar do mundo (em 2016, 437 policiais morreram no Brasil, nos EUA, 135, ed). Todo país que deseja impor suas leis precisa de uma estratégia de segurança inteligente. Você precisa de recursos, muito treinamento. Você precisa se certificar de que seus agentes se sintam seguros. Se eles não se sentirem seguros, eles não podem proteger os cidadãos. Muitas pessoas defendem os criminosos, mas nós não defendemos as pessoas que nos protegem. Nós temos que fazer algo sobre isso.

Aumento da militarização?

MD: Bolsonaro se apresentou como o candidato da ordem pública e da segurança. Ele prometeu, entre outras coisas, permitir a posse privada de armas, dar à polícia mais liberdade para usar força letal. O presidente anterior, Temer, enviou o exército para o estado do Rio de Janeiro para restaurar a ordem. Você vê uma crescente militarização da aplicação da lei? Existe um problema possível aí?

EP: O Rio de Janeiro é um estado falido. O estado teve tantos governantes ruins nas últimas décadas. O governador Pezão foi recentemente preso. Os últimos três ou quatro governadores estão na prisão ou estão prestes a serem enviados para a cadeia. A corrupção no governo é inimaginável. O estado não tem dinheiro, para nada, nem para pagar seus próprios funcionários. O crime organizado toma conta de toda a sociedade do Rio e se infiltra no governo.

EP: Acho que o que aconteceu no Rio foi necessário, mas isso não aconteceu em plena capacidade. A intervenção militar só assumiu o cumprimento da lei para proteger a propriedade e os cidadãos. O exército não é responsável pelo governo do estado, não houve tomada de poder político. Eu acho que não foi bem feito: em uma intervenção federal você tem que ser capaz de assumir tudo, não apenas a aplicação da lei.

EP: A intervenção vai até o final deste ano, então o novo presidente terá que avaliar se ela pode passar por sua forma atual, ou se ela precisa acelerar.

MD: O que você quer dizer com ‘aceleração maior’?

EP: Dada a gravidade da situação, deve-se analisar como instalar um sistema que respeite as leis e medidas de segurança.

MD: Vamos diminuir o zoom e ver a imagem mais ampla. Bolsonaro e membros de sua equipe expressaram admiração pelo regime militar e defenderam várias ações desse regime. Alguns no Brasil, mas também na comunidade internacional, estão preocupados com essa combinação de admiração pela ditadura militar e pela retórica policial. Você compartilha essa preocupação?

EP: Eu não acho que vamos voltar a uma ditadura. O Brasil na época da ditadura era um Brasil muito diferente. Nós não tínhamos cidadãos politicamente engajados, não tínhamos instituições como a polícia federal, as agências legais …

EP: Bolsonaro tem sido político há algum tempo, por 27 anos. Ele é um político, não um soldado. Não acho que devamos nos preocupar com um deslizamento democrático.

EP: Ele teve que debater com um monte de políticos de esquerda que sempre falam negativamente sobre a ditadura militar – como a mídia chama, mas o que nós deveríamos chamar de época em que o exército estava no poder. Bolsonaro defendeu as boas coisas que aconteceram então. O Brasil foi confrontado com a escolha: perseguir uma ideologia particular (comunismo, ed), ou lutar e fazer parte do mundo livre. O regime militar criou, entre outras coisas, a infraestrutura pública.

EP: Como Bolsonaro fala não é necessariamente como ele vai governar. Para mudar as coisas, você primeiro tem que atrair atenção, ganhar a discussão, e você faz isso adotando uma abordagem mais explosiva. Isso acontece não só no Brasil, mas em todo o mundo: Itália, Áustria, EUA.

O cenário político-institucional

MD: Qual é o cenário institucional no Brasil? Quais mecanismos de controle existem?

EP: O Brasil é um sistema presidencialista, com uma separação de poderes que se equilibram mutuamente. Temos uma Suprema Corte com onze juízes, a maioria dos quais é corrupta (risos).

MD: Como os juízes no Supremo Tribunal são nomeados? E por quanto tempo?

EP: Eles são nomeados pelo presidente, para a vida eu acredito (não há prazo máximo, mas uma pensão obrigatória em 75, ed). É por isso que o julgamento de Lula teve um efeito tão grande (o tribunal confirmou a condenação de Lulas a 12 anos de prisão) e obteve seis votos contra. Era muito estreito, ele perdeu com apenas uma voz.
EP: A razão pela qual ele foi condenado é porque o exército deixou claro que o Brasil é um estado constitucional. O general Eduardo Villas Boas, comandante do exército, twittou que o tribunal deveria exercer sua função e que os corruptos não deveriam ser libertados tão facilmente.

MD: Não se preocupa se um comandante militar ameaça a justiça – mesmo se eles são corruptos – para obter uma opinião que o exército quer?

EP: Eu não acho que isso seja uma ameaça. Eu acho que foi mais uma reflexão. Em todas as situações, você tem forças que empurram e puxam em direções diferentes para o resultado que desejam. Nesse caso, os possíveis resultados foram se prender ou não Lula. No final, isso acabou na Suprema Corte, depois que os diferentes níveis de justiça já o sentenciaram. Todos os níveis de justiça concordaram: Lula teve que ser colocado na cadeia.
EP: O Supremo Tribunal não julga, eles concluem acordos. Isso é realidade. É por isso que o exército disse: faça o seu trabalho, você não está aqui para fazer negócios. Você tem que julgar de acordo com a lei.

MD: Eu acho perturbador, entretanto, que um oficial militar de alta patente, em um país com uma história de ditadura militar, use sua posição para influenciar um julgamento da Suprema Corte. Essa não é uma posição em que um soldado deveria estar.

EP: Em um país estável, com uma longa história, onde a separação de poderes é funcional, esse é um comentário válido.
EP: Em um país com tanta corrupção, de todos os lados, de todos os ramos do governo … Fico feliz que ele (o general, ed) levantou e disse isso. Se ele não tivesse feito isso, Lula estaria livre agora. E talvez até presidente, quem sabe.
EP: No seu país, um soldado não deveria dizer essas coisas. Mas em uma situação onde as pessoas não têm mais confiança na justiça, no legislativo – embora atualmente as substituamos (através das eleições parlamentares, ed) – onde o poder executivo não está em posição de tomar boas decisões por meio de ligações com o todo espectro político … às vezes alguém tem que fazer algo diferente. Eu estou feliz que o general Eduardo Villas Boas usou seu soft power de forma inteligente.

Uma sólida reputação

MD: Agora você diz algo que ouvi muitas vezes antes e que acho interessante. Há uma grande desconfiança do Judiciário e do Legislativo, mas parece haver uma grande confiança no exército. Dadas as amplas ramificações do escândalo da Lava Jato: não havia soldados envolvidos na corrupção?

EP: Não que tenha sido trazido para minha atenção. A mídia ficaria encantada se dissesse que o coronel ou este general está envolvido em um escândalo de corrupção. Talvez os soldados tenham um tipo diferente de motivação? Essas pessoas – e conheço algumas delas – vivem como pessoas comuns, como a classe média, elas não enriquecem. Eles não se tornam subitamente milionários ou bilionários de um dia para o outro. Eles estão tentando construir algo de bom no Brasil. Todos eles têm isso em comum. Eles têm um profundo apreço por nosso senso de cidadania e têm grande respeito por nosso país.

EP: A mídia nunca encontrou nada. Talvez eles não tenham pesquisado o suficiente, ou talvez eles não sejam tão corruptos assim. Tenho certeza de que pessoas curiosas já fizeram pesquisas com as habilidades certas. Se você encontrar alguma coisa, avise-nos!

MD: Essa confiança no exército parece ser bastante ampla, não limitada a uma parte específica do espectro político. Isso está certo?

EP: Eu acho que isso é verdade em 2018. Talvez não em 2014 ou 2012. Mas em 2018, depois de tantos escândalos de corrupção, eles têm uma reputação bastante sólida.

EP: O poder legislativo está mudando agora. Dos 513 membros do parlamento, substituímos quase 200. Tanto na Câmara como no Senado, vemos muitos recém-chegados que não têm ligações com os escândalos e a corrupção. Isso é uma grande mudança, eu acho. Nós vemos uma renovação brasileira. Torna-se interessante ver como, por exemplo, as novas relações de poder entre os 81 senadores ocorrerão.

EP: No Congresso, o partido de Bolsonaro tem agora 52 membros do parlamento e deve liderar o Partido Trabalhista com 56 deputados. O Partido dos Trabalhadores não desapareceu. O Brasil tem 35 partidos políticos, dos quais 33 estão representados no Congresso. Com tal fragmentação, todos estão no Congresso.

EP: Temos que limpar o sistema, é tão sujo. Boas pessoas não podem superar os obstáculos, não podem ter sucesso na vida. Você tem que fazer algo errado para fazer seu negócio florescer. Você tem que fazer algo ilegal. Os cidadãos pagam os altos impostos que o governo exige deles, mas nós não recebemos uma infraestrutura pública em troca, nada está disponível. Para onde vai todo esse dinheiro?

Autoritarismo

MD: Os poderes legislativo e judicial têm controle considerável sobre o presidente? Existe alguém que possa limitar o presidente se ele decidir governar com autoridade?

EP: Acho que temos um crescente grupo de ativistas políticos neste país. O Brasil também tem uma grande diáspora: cerca de um milhão de brasileiros vive nos EUA, cerca de 250.000 no Japão. As pessoas não costumam pensar nessa grande diáspora, mas muitos de nós vivem no exterior. E graças à mídia social, todos os brasileiros estão conectados em todo o mundo. Então, haverá pessoas que testemunharão se ele se comportar de maneira autoritária, incluindo pessoas no exterior. Essa é a beleza desse mundo globalizado: vemos as coisas acontecendo ao vivo. Se Bolsonaro se comportasse de maneira não democrática, ele seria pego em poucos segundos. Alguém tiraria uma foto, pegaria seus comentários.

EP: Esquerda não tem nada para pegá-lo, além de suas declarações explosivas. Eles nunca conseguiram fazer com que ele dissesse algo autoritário. Ele nunca disse que aboliria o Congresso, que não cumpriria a Constituição. Ele nunca disse nada autoritário.

MD: Isso não é verdade. Ele disse há muito tempo que, se fosse eleito, faria um golpe no primeiro dia.

EP: Isso foi há mais de vinte anos, ele era um homem diferente naquela época. Hoje em dia ele nunca disse nada de autoritário. Você sabe, ele não tem um filtro. Mas ele não é racista, nem homofóbico, o que as pessoas dizem sobre ele. Ele é casado, tem filhos, é cristão. Muitas pessoas apreciam isso. Ele recebe muito apoio de um ângulo cristão.

EP: Acho que ficaremos surpresos com o quão não-autoritário ele será. Isso vai ser bom de ver. Agora todo mundo espera que ele seja o cara mau, mas se ele não toma o poder, não se comporta de forma autoritária, as pessoas vão perceber que estão atacando alguém que realmente não existe.

EP: Os ministros que ele seleciona para seu gabinete estão mais bem preparados do que ele. Eles tiveram melhor educação, melhor experiência. As pessoas em seu gabinete são melhores que ele. Isso diz algo sobre o homem por trás do político. Se você, como CEO de uma empresa, recrutar pessoas melhores que você, com mais conhecimento e compreensão, mais éticas, com melhores pontos de vista morais, então isso diz algo sobre você. É isso que Bolsonaro está fazendo agora. Veja suas biografias, seu currículo.

EP: Isso é novo para o Brasil. No passado, tratava-se apenas de conexões políticas, de acordos de bastidores, por debaixo da mesa. Anteriormente, um novo presidente nunca teria escolhido alguém credível, um especialista em seu domínio. Ele leva as pessoas que sabem do que estão falando. Depois de trinta e três anos.

Trump Tropical, Duterte Brasileiro?

MD: Bolsonaro foi chamado – com algum desprezo – o “Trump Tropical”. Você vê essa conexão em si, além da retórica?

EP: Não, na verdade não. Eu acho que Bolsonaro pode apreciar algumas das conquistas de Trump. Governando para seu próprio povo, por exemplo. Eu vejo um agrupamento lá. Em segundo lugar, protegendo as fronteiras. O Brasil faz fronteira com dez países da América do Sul. Dada a extensão de nossa fronteira, muitas drogas entram, muitas pessoas imigram sem nenhuma verificação. Em terceiro lugar, há um interesse comum em aumentar os orçamentos para a defesa e a segurança nacional – por exemplo, através de um acordo bilateral.

EP: O presidente Trump tem um histórico completamente diferente. Primeiro ele era um democrata, depois um republicano, depois um independente e depois um republicano. Politicamente falando, ele não tem linha. Ele é um empresário na área imobiliária que está fazendo política pela primeira vez. Esse não é o caso de Bolsonaro, que trabalha na política há 27 anos. Eu acho que a comparação termina aí.

EP: Bem, mais uma coisa então: ambos não são politicamente corretos. Eles não dizem nada para agradar. Eles tentam resolver problemas que há muito foram ignorados.

MD: Você vê alguma semelhança com Duterte nas Filipinas? Ele também é um político profissional, também um candidato a aplicação da lei. E talvez ele também seja o motivo de a comunidade internacional estar preocupada com o Brasil. Sua agenda de segurança – muitos acreditam – ficou fora de controle: a polícia é composta de juízes, jurados e carrascos em certas partes do país. A preocupação é que muitos serão mortos – como nas Filipinas, sem qualquer forma de julgamento. Você vê as parábolas e compartilha essa preocupação?

EP: É saudável pensar nisso. Mas no momento nós realmente precisamos da aplicação da lei. Não amanhã, ontem. Você sabe, eu vivi nos EUA por um longo tempo, eu sei como é estar em um espaço público e se sentir seguro. Você não tem esse sentimento aqui. Precisamos de aplicação da lei e devemos, antes de mais nada, proteger nossos policiais.

EP: Eu não sei muito sobre Duterte, mas me parece que ele está “empolgado” com a forma como os criminosos estavam tentando transformar seu país em um paraíso das drogas. Às vezes, para mudar as coisas, você precisa de um presidente que seja um soldado. Então você pode ter um presidente que é o estadista e, em seguida, alguém que é mais refinado e que pode levar o país a um nível superior. Mas as Filipinas estavam em uma posição tão ruim que precisavam de um soldado. Ele deve limpar a terra para que eles possam encontrar alguém melhor depois. É assim que eu vejo isso.

EP: Não podemos levar a segurança levemente aqui no Brasil. Eu tenho dois filhos: um tem quatro anos e mora no exterior com a mãe, o outro é um bebê e mora aqui. Eu sinto muito por eles, especialmente com aqueles que moram aqui. Eles não têm a liberdade e a segurança que sinto quando viajo em países mais seguros. O mecanismo de segurança atual do Brasil não funciona, e alguns terão que pagar um preço para repará-lo.
Proteger criminosos ou policiais?

EP: Eu não falo sobre matar pessoas. Eu não discuto em relação a matar criminosos. Temos que encontrar uma maneira de tornar nossas ruas seguras para garantir que nossas famílias estejam seguras. Mas se eu tiver que escolher entre defender o crime organizado ou as vidas de nossos policiais, então sei onde estou. Estas são pessoas que eu conheço [os agentes da lei, ed.]. Eles moram no mesmo bairro que eu, eles querem manter o país seguro.

EP: A segurança é um grande problema que tem impacto na economia, turismo, educação, saúde, investimentos e assim por diante. Se você não tem um país seguro, ninguém quer visitá-lo, trabalhar com você ou investir em você. Isso é um grande problema. Eu não quero que Bolsonaro se torne o novo Duterte, mas ele terá que ser duro.

MD: De acordo com você, temos que escolher entre proteger criminosos ou proteger a polícia, mas a escolha nem sempre é clara. Os agentes não são perfeitos, às vezes cometem erros ou precisam tomar decisões em circunstâncias extremas. Ao ampliar seu mandato para matar, o risco de danos colaterais aumenta – para usar um termo sem coração. Além disso, os criminosos ainda têm direitos, desde que não representem uma ameaça direta.

EP: O número de criminosos violentos no Brasil que matam pessoas é ridiculamente alto. Se você olhar para o nível de perseguição … o processo simplesmente não funciona. Os criminosos escapam facilmente aos processos porque a justiça é tão corrupta. Geralmente eles não são pegos. A única aplicação da lei é um policial ou soldado que se coloca entre o crime e o cidadão.

EP: Temos que treiná-los melhor. Precisamos fazer capacitação. Talvez a comunidade internacional possa desempenhar um papel aqui. Vamos usar todo o bom trabalho que aconteceu em Israel, no Chile, na Bélgica ou na Alemanha, nos EUA. Vamos treinar policiais para se tornarem melhores tomadores de decisão. Vamos fortalecê-los. Mas eu não quero puni-los.

EP: Em uma zona de guerra, a violência mortal é às vezes necessária. E as favelas do Rio ou do Nordeste são zonas de guerra. O crime organizado tem armas mais poderosas que a polícia. Eles usam armas de guerra, enquanto a polícia tem algo muito simples. Precisamos de treinamento e melhor estrutura legal.

EP: Nós temos que mudar as coisas. Se você for a Londres, verá agentes sem armas. Embora as coisas possam ter mudado devido ao terrorismo. Mas há tal respeito pela polícia, porque as pessoas sabem que há consequências se você fizer algo a um agente.

EP: Essa cultura não existe aqui. Criminosos não respeitam a polícia, eles os matam e matam. Como você cria uma sociedade com ordem, com respeito pela lei, se você não tem essa cultura? Bolsonaro tenta criar essa cultura, onde os criminosos têm medo de serem pegos. Onde as pessoas que não respeitam a lei têm medo. Essa mudança tem que vir. Não sou eu quem deveria ter medo quando ando pela rua: sou um cidadão honesto, um homem de família. Os bandidos devem ter medo quando andam pela rua porque fizeram algo errado. Esse não é o caso neste país.

Alegações de homofobia

MD: Vamos falar sobre a acusação de homofobia. Bolsonaro disse que preferiria que seu filho morresse em um acidente de carro do que ele seria gay. Ele disse que seus filhos nunca seriam homossexuais, porque eram bem educados. O Brasil é historicamente bastante liberal em relação à comunidade LGBTQ: saúde pública para transgêneros, legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele dá voz a algo que talvez tenha vivido mais na sociedade brasileira do que pensávamos?

EP: Essa é uma boa pergunta. Eu me pergunto se ele tem uma opinião tão forte sobre esse tipo de coisa. A única coisa que ele realmente tem uma opinião forte sobre não é expor as crianças a essas coisas em uma idade jovem, porque isso seria inadequado.

MD: Inadequado de acordo com quem?

EP: Segundo os pais. A sociedade. Os professores. Pedagogos e psicólogos. As pessoas não sentem que seus filhos devem ser expostos a tais coisas em uma idade jovem. Como pai ou mãe, você pode dizer ao seu filho o que você quer, mas se a maioria achar inapropriado na escola, então você não deve fazer isso lá.

EP: Eu sou pai e eu acho que cabe aos pais decidir sobre essas coisas. Eventualmente as crianças vão à escola para aprender matemática, física e biologia, Português, Inglês, Holandês, Francês, o que for.

EP: Bolsonaro tem falado fortemente contra a ideologia de gênero na escola, desde que foi introduzida por Dilma [Roussef, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores e sucessora de Lula, ed.]. Essa é uma das coisas que precisam mudar no Brasil: um plano nacional para isso, um plano nacional para aquilo, … Parecemos uma economia centralizada, como se estivéssemos vivendo nos tempos soviéticos. Nós temos 27 estados no Brasil, nem todo estado tem que ser o mesmo. Podemos ter um plano educacional específico para São Paulo, outro no Rio e outro na Bahia. Nós nos opomos a esse modo de pensar centralizado, onde tudo tem que ser planejado. Essa geração de brasileiros não gosta disso.

EP: Eu não estou dizendo que Bolsonaro é educado, ou um palestrante refinado. Ele não é polido, não foi para Oxford ou Cambridge, [as vezes] não sabe o que é o melhor a dizer no momento e na hora certa. Isso não é quem ele é. Ele é uma rocha. E eu estou feliz que ele seja uma rocha [um bloco de granito] e não um político fraco e polido. Se não fosse assim ele poderia desistir.

EP: Se você pode ter um político forte e polido, esse é o ideal. Mas Bolsonaro não é Justin Trudeau. Esse tempo virá e nós temos boas pessoas esperando nos bastidores. Lembre-se destes nomes: Luiz Phillipe de Orleans e Bragança, Janaína Paschoal, Marcel van Hattem, Romeu Zema, Carlos Bolsonaro e outros.

Caldeirão Brasil

MD: A comunidade LGBTQ deveria estar preocupada?

EP: Não. Os brasileiros são naturalmente muito tolerantes em comparação aos outros. Somos um país formado por diferentes nacionalidades, um pouco como os EUA. Há tantas pessoas morando aqui de todas as partes do mundo, com todos os tipos de origens, cores e formas. As pessoas vêm aqui todos os dias. Talvez você viva aqui!

EP: Há tantos negros aqui, muitos japoneses também. Você sabia que temos a maior comunidade japonesa fora do Japão? Há cerca de 1,6 milhão de brasileiros de origem japonesa, ed. Nós não julgamos as pessoas sobre sua sexualidade ou gênero. Não é assim que os brasileiros pensam. Você deve respeitar a orientação sexual das pessoas. Você deve fornecer educação para todos. Temos que investir nosso tempo, energia e nosso dinheiro: fornecendo coisas boas para todos. Não para fornecer tempo infinito para esse tipo de coisa [gênero e sexualidade, ed.] Como algumas pessoas de esquerda fazem. Alguns falam de mais nada, causa muita discórdia. Eles não mantêm o objetivo final em mente.

EP: Este objetivo final é dar aos cidadãos acesso aos serviços públicos, respeitar os cidadãos, independentemente das suas convicções. Cidadãos comuns, como você e eu.

MD: Eu entendo seu ponto, mas muitos progressistas – incluindo eu mesmo – diriam que falamos tanto com e sobre esses grupos – e de fato nós fazemos – porque ao longo da história eles não foram mencionados, que foram oprimidos, atacados e perseguidos.

EP: Eu acho que você tem um bom ponto aí. Quero dizer que amo meus amigos LGBTQ, amo meus amigos, não importa em que eles acreditem. E eu não acho que o governo de Bolsonaro tentará fazê-los se sentir inseguros. Pelo contrário.

EP: Se nós temos uma política de segurança melhor, onde as pessoas podem sair às 11 horas da noite … as pessoas não veem a sua sexualidade quando você anda na rua, elas apenas veem uma pessoa. E então um crime acontece.

EP: Claro que existem exceções. Alguém pode matar alguém como um crime de ódio. Mas acho que Bolsonaro apenas os ajudará, aqueles que são um alvo. A lei protege todos, incluindo a comunidade LGBTQ. É assim que eu vejo, espero que sim. Se eu ver algo distinto acontecendo, eu serei o primeiro a levantar a minha voz. Eu não acredito que as pessoas possam ser julgadas por causa de sua preferência sexual, sua cor de pele, seja qual for.

EP: Eu digo isso do fundo do meu coração. Eu também não acho que os eleitores de Bolsonaro ficariam muito felizes com isso, o núcleo cristão.

Bolsonaro: Conservador e Ecológico

Operação Lava Jato

MD: Por trinta anos, os brasileiros votaram em partidos de esquerda que prometiam uma rede de segurança social. Por que demorou trinta anos para os eleitores mudarem de campo? E porque durante esta eleição?

EP: A situação política e o descontentamento social tiveram que chegar a um ponto em que a única solução possível era a mudança. Um ponto em que mais do mesmo se tornou insuportável.

EP: Nossos líderes políticos se tornaram tão corruptos. O presidente Lula está preso, não por perseguição política, como a mídia brasileira e internacional podem reivindicar. Ele é condenado por corrupção, com base em evidências. E não é apenas sobre o próprio Lula. Todas as pessoas ao redor dele estão presas ou estão prestes a ir para a cadeia.

EP: Corrupção no Brasil se tornou tão grande. Operação Lava Jato é o maior escândalo de corrupção em todo o mundo. As pessoas perdem seus empregos, não têm acesso a serviços públicos, mas confiam nas mesmas partes interessadas e políticos sempre. Chegou a um ponto em que as pessoas queriam mudar. Onde as pessoas não queriam mais votar nos mesmos políticos, nos mesmos líderes políticos. As pessoas não queriam mais a mesma ideologia que nos mantinha nessa posição. No final, os partidos de esquerda mentiram e não ofereceram soluções para os problemas do Brasil.

EP: As pessoas não querem depender de pequenas contribuições do governo. Eles querem que o governo se afaste e deixe o país prosperar. Essa é a grande mudança na mentalidade das pessoas agora. O que o cidadão comum quer? Verdadeira liberdade para se desenvolver como cidadão e profissional. Nosso novo ministro [da Economia, ed.], Paulo Guedes, um liberal com doutorado em economia na Universidade de Chicago, está trabalhando nisso.
O que a população quer

EP: As pessoas realmente mudaram de ideia sobre o que querem do governo? Ou eles mantêm suas expectativas, mas perdem a confiança na “velha guarda” para atender a essas expectativas?

EP: Esse é um bom ponto. Eu acho que é uma combinação dos dois. As pessoas perderam a confiança. Eles querem outra coisa, eles estão procurando por outra coisa. E essa ‘outra coisa’ está agora sendo apresentada de uma maneira muito inspiradora, aberta e confiante.

EP: Bolsonaro desafia a narrativa, muda o que os canais de notícias vêm dizendo há trinta anos. Esses canais de notícias sempre disseram às pessoas qual é a história. Bolsonaro conta a história como ela é, ele não inventa nada para vendê-la. Há uma camada de manipulação sobre todas as redes de mídia: eles dizem o que querem dizer, não contam os fatos. As pessoas estavam muito bravas com isso.

Mídia tradicional e social

MD: Bolsonaro deixa a mídia à esquerda. Ele é extremamente bom em mídias sociais, no WhatsApp. Eu quero dar um pouco de oposição à sua afirmação de que ele conta a história como ela é. Ele conta a história como ele a vê, sem dúvida, e vamos supor que ele é sincero. Mas não há controle, não há equilíbrio, porque ele se comunica diretamente com o eleitorado.

EP: Eu não acho que isso seja um problema. Ele usa mídias sociais e tradicionais. Ele presta mais atenção aos novos meios de comunicação. Ele sabe que aqueles que possuem a antiga mídia querem manter o status quo. E é claro que eles querem manter os contratos que eles têm com o governo brasileiro. Essas pessoas ganham meio bilhão de dólares por ano para dizer o que o governo central quer que eles digam. Muitas pessoas ficaram com raiva disso.

EP: Eu acho que ele encontrará um caminho mais equilibrado entre mídia social e tradicional. E mais equilíbrio em seu estilo de comunicação. Nós já vemos que as redes de mídia estão se ajustando; eles percebem que não podem contar a história como querem, mas que precisam contar à população brasileira. Eu acho que os canais vão se adaptar, e eu não vejo porque Bolsonaro não estaria com eles para conversar. Eu acho que eles deveriam mudar, ou eles vão à falência. E eu acho que ele vai usá-los novamente.

Relações multilaterais

MD: Vamos falar sobre o meio ambiente. O Brasil tem uma enorme biodiversidade, muitas espécies de fauna e flora. Bolsonaro ameaçou retirar-se do acordo de Paris – embora ele já tenha anunciado que continua a bordo – o que é difícil de conciliar com suas declarações de que ele não apenas acredita que a mudança climática é real, mas será uma catástrofe.

EP: Acho que ele tentou principalmente renegociar a posição do Brasil em organizações multilaterais.

EP: Não vejo acontecer que ele mude drasticamente a posição do Brasil em relação à mudança climática. Ele provavelmente não retirará o Brasil do acordo de Paris em breve. Mas ele pode querer colocar alguma pressão, ele não vai concordar plenamente com tudo o que acontece lá. Ele pode trazer uma série de questões que estão mais de acordo com nossas prioridades. Acho que o Brasil deveria liderar essa questão, dada a importância que temos.

MD: Então você acha que foi principalmente uma pose política para conseguir uma melhor posição de negociação?

EP: Em parte sim. Eu acho que ele vai querer verificar se os acordos assinados pelo Brasil são de fato a favor do Brasil. Eu não acho que ele é o tipo de homem que se retiraria sem razão. Ele irá analisar quais são as considerações, as vantagens e desvantagens. E, eventualmente, ele pode dizer, você sabe, não faremos nada no momento, apenas deixe como está.

Povos indígenas e natureza

MD: Bolsonaro recebeu muito apoio de empresas florestais e de mineração, principalmente porque disse que limitaria a lei que protege a terra dos povos indígenas. Como isso rima com a proteção da biodiversidade e do meio ambiente?

EP: Precisamos encontrar uma maneira de integrar a natureza e a sociedade humana. Não podemos escolher entre proteção da natureza e desenvolvimento econômico, temos que fazer as duas coisas. Devemos proteger a natureza, a biodiversidade, os recursos naturais, a água, os animais, as tradições e a herança indígenas, tudo. Mas também precisamos encontrar uma maneira de desenvolver nosso potencial. Temos que encontrar um equilíbrio e isso será muito difícil.

EP: Os povos indígenas merecem absolutamente ver seu país protegido. Mas eles também merecem um bom estilo de vida. Muitas vezes, eles se mudam das reservas para as cidades porque não encontram renda e empregos suficientes. Eles vivem na pobreza. Às vezes eles fecham rodovias federais para impor dinheiro. Eles não têm fonte de renda. Precisamos pensar em como podemos envolvê-los na sociedade brasileira.

Natureza e vida em equilíbrio

EP: É simplesmente irrealista fechar a floresta amazônica, para não deixar ninguém dentro ou fora. Muitas pessoas vão lá, visitantes internacionais, brasileiros. Precisamos encontrar uma maneira de desenvolver essas regiões de maneira integrada e sustentável. Isso é um desafio para o presidente.
EP: É claro que devemos proteger a terra dos povos indígenas, mas eles também devem poder viver. A vida não é apenas sobre a natureza, essas pessoas precisam de todo o pacote. Eles devem ser cidadãos brasileiros, não vivendo como alguém do século 16 ou 17. Esse tempo acabou, este é o século 21. Devemos dar-lhes os meios para se desenvolverem. Você não deve considerá-los como crianças! Devemos dar-lhes os meios, a cultura. Ajude-os a tirar o melhor proveito de sua cultura, da natureza, seu país, sua identidade. Este é o melhor caminho para mim.

O catalisador

MD: Então, de acordo com você, o país [terras indígenas brasileiras] deles deve ser protegido? Porque Bolsonaro propõe não fazer mais isso. Não é possível dar-lhes educação e emprego – por exemplo, no ecoturismo – sem abolir essa proteção?

EP: O problema é que, se forem encontrados ouro, ou diamantes, ou petróleo, ou qualquer coisa valiosa, os políticos declaram a área imediatamente protegida.

MD: Como isso é a favor de políticos e empresas?

EP: Quando os políticos consideram a terra como “nativa”, são eles que exercem o controle e podem conceder acesso. Todo negócio, tudo o que acontece nessas áreas, tem que passar por eles. Eles querem ser o intermediário.

EP: O objetivo de proteger os povos indígenas é um objetivo nobre, mas não é para isso que os políticos usam a lei. Eles querem fazer disso uma espécie de empreendimento público. Porque a partir daí você tem que fazer algo pelo sistema do governo. Você cria um monopólio público. Você deve pedir permissão, preencher formulários, fazer solicitações. É uma grande fábrica de malhas burocráticas.

Cui bono?

EP: E não são os povos indígenas que se aproveitam disso! Geralmente eles não recebem nada. Eles não são os verdadeiros donos do país. A prosperidade, os recursos naturais, as posses, nada disso vai para eles. Quando empresas internacionais vêm aqui, você acha que elas estão negociando com os indígenas? Ou eles estão negociando com os governadores, com políticos corruptos? Eles negociam com os atores políticos e a população indígena ganha algumas mudanças.
Ilha conservadora?

MD: Uma última pergunta então. O Brasil agora tem um governo conservador, uma exceção na América do Sul e Central. Você vê potenciais tensões com os países vizinhos?

EP: O Brasil tem sido muito passivo internacionalmente. O país pode ajudar a moldar a política mundial, cumprir uma posição de liderança. Quando falamos de floresta amazônica, biodiversidade, manejo hídrico, energia renovável, agronegócio, startups, tecnologia financeira, empreendedorismo social, novas mídias, economia criativa: podemos ser pioneiros aqui. O Brasil é um laboratório para o futuro.

EP: Nós não somos uma ameaça, nem um obstáculo para a visão de um mundo livre.

EP: Com um governo conservador na América do Sul, um governo conservador na América do Norte, governos conservadores na Europa, algumas tradições e crenças voltarão a receber mais atenção. Algumas coisas boas que perdemos ao longo dos anos estão sendo trazidas de volta ao local, redescobertas.
Interesse compartilhado, prosperidade compartilhada

EP: Em última análise, as pessoas querem levar vidas seguras e estáveis, famílias. Alguns podem não querer filhos, mas todos nós queremos fazer parte de uma família maior, uma comunidade, seus amigos e colegas. Precisamos redescobrir essa necessidade de pertencer a alguma coisa. E através de nossos interesses compartilhados, construiremos prosperidade compartilhada.

EP: A família é a menor unidade. As pessoas querem pertencer a alguma coisa. Governos conservadores podem contribuir para isso, podem trazer de volta coisas boas. O ponto não é que queremos reverter a roda do progresso, esse não é o ponto. Deixe a roda girar, mas vamos manter as coisas boas. Coisas que construímos ao longo dos anos, como o respeito mútuo.

EP: As pessoas devem se sentir abraçadas e seguras quando dizem alguma coisa. Em algumas comunidades a conversa se tornou tão abrasiva, tão libertária: faça o que quiser, quando quiser. Você pode fazer isso em sua própria casa, mas se for ao seu vizinho, você tem a responsabilidade de se comportar de maneira diferente. Se você tem uma família, você começa a prestar atenção nisso. Precisamos de uma comunidade onde todos possam contribuir com algo e também tirar proveito disso. O movimento conservador não quer voltar no tempo, mas nós perdemos várias coisas. É por isso que penso que um partido conservador surgirá no Brasil no futuro próximo.

Eduardo Platon é membro ativo e consultor de política do Movimento Avança Brasil.

Ele concedeu essa entrevista a Michael Domen, da plataforma política Dookbraak.be na Bélgica / Europa. – 17 DE DEZEMBRO DE 2018

Eduardo é um brasileiro com conexões globais. Ele viveu, trabalhou no exterior nos últimos dezessete anos. Ele tem mestrado em Negócios e Finanças e um em filosofia política (ambos obtidos nos EUA). Eduardo divide seu tempo com o setor privado, agências governamentais, partidos políticos e ONGs, permitindo-lhe oferecer uma perspectiva sob diferentes perspectivas. Eduardo se considera um conservador cultural e um liberal econômico.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.