Bretas decreta nova prisão de Rogério Onofre; ex-presidente do Detro é considerado foragido

Onofre havia sido solto após decisão de Gilmar Mendes, mas MPF alegou ameaças a outros presos e pediu nova prisão. Ele é réu em ação da Lava Jato que apura corrupção nos transportes.

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, decretou novamente, nesta sexta-feira (25), a prisão do ex-presidente do Departamento de Transportes do Rio (Detro) Rogério Onofre. À noite, ele ainda não tinha sido encontrado e já era considerado foragido.

A polícia procurou e não encontrou Onofre na casa dele, em Paraíba do Sul, no sul do estado do Rio de Janeiro. Ele já foi prefeito da cidade e depois que ganhou o direito de responder ao processo fora da cadeia cumpria lá o recolhimento domiciliar. Tinha que passar as noites, os fins de semana e os feriados dentro de casa.

O advogado disse que Rogério Onofre não estava em casa porque se sente ameaçado. O advogado não explicou por que o réu ainda não se entregou, mas afirmou que Onofre vai procurar a polícia no sábado (26).

Onofre foi preso em julho na Operação Ponto Final, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de receber R$ 44 milhões em propina no esquema de corrupção no setor de transporte do estado do Rio. Onofre se tornou réu junto com outras 23 pessoas, incluindo o ex-governador Sérgio Cabral, em desdobramento da Operação Lava Jato no Rio (veja todas as 14 denúncias contra Cabral).

A mulher de Onofre também foi presa depois da operação, deflagrada em julho. Dayse Déborah Alexandra Neves estava indo de ônibus para Florianópolis e foi acusada de tentar movimentar US$ 1,8 milhão de um fundo no exterior depois da prisão do marido. O MPF diz que ela chegou a ter US$ 10 milhões em apenas uma conta no exterior.

A defesa de Dayse Neves disse que ela não vai se manifestar.

O casal recebeu habeas corpus na noite de terça-feira (22), concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Na quarta, o MPF pediu novamente a prisão. Entre os argumentos estava a acusação de que Onofre vinha ameaçando outros detidos na operação.

Ameaças

Entre as provas apresentadas pelos procuradores sobre as ameças está um áudio gravado no momento em que a operação Ponto Final ocorria. Na conversa, Onofre cobra dinheiro e faz ameaças aos empresários Nuno Coelho, conhecido como “Batman”, e Guilherme Neves Vialle, o “Robin”. Eles foram presos este mês, em Curitiba, acusados de lavar dinheiro na venda de imóveis para o casal.

Guilherme Vialle disse em depoimento à Polícia Federal que foi ameçado pessoalmente por Onofre, que teria dito que mandou pessoas acompanharem a rotina dele e da família e que antes de matar Guilherme, iria torturá-lo.

Nuno Coelho disse à polícia que Onofre avisou que sabia onde a família dele e a de Guilherme moravam e que “já investigava os dois”. As ameaças também chegavam por mensagens de áudio.

“O negócio aqui tá feio pro meu lado, cara. Eu não tenho dinheiro nem pra viajar se você quer saber. Vê se você me arruma o meu dinheiro aí, dá um jeito, vocês não estão dando solução de nada, vocês não estão conversando, vocês têm imóveis aí não dão nada. Vocês não estão acreditando, rapaz, na sorte. Vocês ainda não morreram porque eu quero receber, mermão. Agora eu tô percebendo que vocês não vão pagar mesmo, aí então…”

Na decisão desta sexta, o juiz Marcelo Bretas diz que as ameaças também representam uma obstrução à justiça. Para o juiz, Onofre em liberdade poderia atrapalhar a investigaçao sobre a máfia nos transportes do Rio, que movimentou pelo menos R$ 250 milhões em propina – dinheiro das empresas que faziam uma espécie caixinha da corrupção.

O Ministério Público Federal quer saber se o sistema do Bilhete Único e do vale transporte também foi usado pra pagar agentes públicos. Juntos, eles movimentam R$ 6 bilhões por ano.

Em operação nesta sexta, um diretor da federação das empresas de ônibus (Fetranpor) foi preso em flagrante por obstrução da Justiça. Ele mandou um funcionário esconder um computador dos policiais.

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