Ninguém vai pedir desculpas a Fachin e Alvaro Dias? O Avança Brasil pede!

Mesmo sem termos sido citados, atendemos o pedido do renomado jornalista Leonardo Henrique dos Santos, de Curitiba, e PEDIMOS DESCULPAS a Edson Fachin e ao senador Alvaro Dias, que na época, foram duramente criticados por nós.

Abaixo o texto completo do jornalista:

O desempenho que Luiz Edson Fachin vem apresentando no STF indica que muita gente, inclusive e principalmente em posições de destaque na mídia virtual (não é mesmo Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo e Joice Hasselmann?) já deve, faz tempo, um pedido de desculpas tanto ao ministro quando ao senador Alvaro Dias.

Quem acompanhou a nomeação de Fachin deve estar lembrado de que, assim que o nome dele veio a público, os três influentes formadores de opinião – e muita gente nas redes sociais – caíram matando, com o prejulgamento de que, como ele apoiara Dilma Rousseff na reeleição dela, certamente iria se pautar no STF por sua preferência partidária.

Quando Alvaro Dias, com todo seu passado de firme opositor ao petismo decidiu apoiar Fachin, os três comentaristas voltaram suas baterias contra o senador, submetendo-o a uma intensa saraivada de críticas por seu posicionamento.

Com exceção dos petistas, que se viram constrangidos a permanecer calados, porque Alvaro estava sendo agredido por apoiar um candidato deles, todo mundo baixou o sarrafo no lombo do senador. Mesmo levando bordoadas, inclusive de gente que dizia que nunca mais na vida iria votar nele, Alvaro manteve-se firme no apoio. Ele apenas insistia na sua convicção de que, por ter uma biografia a zelar, com a capa preta nos ombros Fachin passaria a decidir como o respeitado jurista que era e ministro em que iria se tornar, não como o simpatizante da candidatura petista que fora anteriormente.

Os fatos estão provando que Alvaro estava certo, como confirmam desde o início e a cada dia os posicionamentos de Fachin. O mais recente foi determinar o envio, ao juiz Sergio Moro, de trechos das delações de João Santana e Mônica Moura que tratam do uso de caixa 2 nas campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e de Dilma Rousseff, em 2010 e 2014. Anteriormente, ele já havia votado pela permanência de José Dirceu e Antonio Palocci na cadeia. Um pouco antes, também contra a libertação do ex-tesoureiro do PP João Claudio Genu e do pecuarista José Carlos Bumlai, igualmente presos preventivamente por determinação de Moro.

A postura inabalável de Fachin em defesa da ética na vida pública e das decisões de Moro não são novidade, mas sim confirmação da linha que ele vem revelando desde que, com sua mudança voluntária para a 2ª Turma do STF, passou a atuar no processo da Lava Jato: lá atrás, antes da queda de Dilma, ele já havia negado o pedido dos aliados da “mulher Sapiens”, que queriam que o processo de impeachment dela voltasse à estaca zero sob o argumento de que se trataria de perseguição de Eduardo Cunha; votou para que réus em ações penais no Supremo não possam estar na linha sucessória do presidente da República; a favor da ação que pedia o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado; a favor também da prisão para condenados em 2ª instância; foi relator do processo que tornou Renan réu pela primeira vez no Supremo pela acusação de desvio de dinheiro público; e foi quem homologou as delações premiadas do casal marqueteiro João Santana e Mônica Moura.

Antes que petistas começassem, como fizeram com Joaquim Barbosa no mensalão, a acusá-lo de traidor, ou de estar agindo seletivamente, apenas contra o PT, ele calou a boca de todos com sua esperada e arrasadora lista de processos que autorizou, com base nas delações premiadas dos executivos da Odebrecht, contra detentores de foro privilegiado: de cambulhada com os petistas de sempre, incluiu as maiores expressões do tucanato, uma boa parte do ministério do Temer, gente de todos os partidos. Para não deixar nenhuma dúvida em relação à sua independência, com cinco inquéritos no lombo o senador e presidente do PSDB Aécio Neves divide a “pole position” dos mais atingidos com o igualmente senador e presidente do PMDB, Romero Jucá; na cola deles, o não menos influente peemedebista Renan Calheiros, com quatro inquéritos. Gente que não tinha foro privilegiado, como Dilma e Lula, ele impiedosamente jogou no colo do juiz Sergio Moro.

Como se vê, por qualquer de seus votos ou posicionamentos individualmente ou pelo conjunto da obra, parece fora de dúvida que o ministro Luiz Edson Fachin e o senador Alvaro Dias que ousou apoiá-lo estão a merecer um explícito pedido de desculpas pelos ataques de que foram alvos quando da nomeação dele. Não é mesmo, Joice Hasselmann, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e todo mundo que foi pra cima dos dois de tacape e borduna?

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