Do reto pensar ao reto agir

Do reto pensar ao reto agir, da igualdade à retidão e do sonho à realidade.

EDITORIAL

Reto pensar é o desafio de nosso tempo. O pensamento oblíquo, sinuoso e sem clara associação de causa e efeito só pode levar a atitudes contraditórias e nada virtuosas.

O que faz de uma decisão uma ótima ideia é, em primeiro lugar, a utilidade dessa decisão. Em segundo lugar, trata-se da beleza das ideias, sobretudo de sua beleza moral. E em terceiro, o que torna uma decisão excelente é o seu resultado.

No Brasil, o que temos visto é uma série de políticos que não possuem nenhum tipo de retidão. Pensam torto e agem de forma mais torta ainda. Só iremos começar a ver mudanças no país quando a estrutura de pensamento da nação se transformar. Isso só vai acontecer à medida em que o medo e a vergonha se tornarem a ordem do dia.

O reto pensar e a vergonha: o controle psicológico

É evidente que há leis no Brasil. O fato delas serem desobedecidas não as tornam inexistentes. A falta de medo que algumas pessoas têm das leis e da ordem no Brasil é um dos motivos da falta de retidão.

Como as pessoas não têm medo de serem pegas, começam a pensar em formas menos honestas de ganhar poder ou dinheiro. Começam a se apegar nesses pensamentos obtusos, a fazer propostas obscuras para outras pessoas, até que se sentem recompensadas por terem criado um monstro corrupto e imoral.

O que talvez o brasileiro ainda não tenha percebido a essa altura é que precisamos parar a corrupção não no momento da ação, mas sim na hora em que ela é idealizada. Para isso, é preciso mudar a estrutura de pensamento do brasileiro, que precisa passar a se preocupar com as punições antes mesmo de sequer ter a ideia de corromper alguém — ou a si mesmo.

A melhor solução para o país, portanto, não são apenas projetos de lei que diminuem a impunidade e retiram privilégios de foro. A melhor solução seria, antes de mais nada, fazer renascer o medo nos corações e mentes dos políticos. Nesse sentido, nada melhor do que uma punição exemplar.

O reto pensar e o nobre caminho óctuplo do Budismo

A filosofia budista poderia servir de inspiração para a política nacional. Em seu dharma, isto é, na sua doutrina, o budismo prega que seus fiéis precisam seguir o que eles chamam de Nobre Caminho Óctuplo.

Trata-se de uma filosofia de vida que valoriza a retidão como princípio. Ela delineia algumas atitudes que podem ser mais facilmente compreendidas à luz da realidade brasileira. Consiste no seguinte:

  • Reto compreender: assume que é extremamente importante compreender as cosias corretamente. Os políticos precisam compreender as leis brasileiras. Os criminosos precisam entender que serão punidos. Compreender essa verdade é o primeiro passo para dar um fim à corrupção.
  • Reto pensar: trata-se de controlar o pensamento a ponto de evitar os pensamentos obtusos, incorretos, infelizes e imorais. Controlando e moldando o pensamento, criamos um universo novo ao nosso redor. Se soubermos evitar as ideias corruptas, a corrupção jamais chegaria a se manifestar no mundo.
  • Reto falar: consiste numa escolha correta de palavras. Afinal, o político que fala demais, acaba propondo ideias obscuras para os seus pares. É preciso ter controle do que se pensa primeiro para depois se controlar o que se fala e como se expressa. O fato de termos políticos falando bobagens, como dizer que um político não precisa ser honesto pois será julgado pelo voto, é preocupante. Assume-se, com isso, que a carreira política está ligada inevitavelmente à desonestidade. Um equívoco sem tamanho.
  • Reto agir: agir com retidão é a maior virtude a que pode aspirar o ser humano. Ao maçom essa ideia é inculcada com símbolos de retidão moral. Os homens e mulheres, como um todo, devem, a cada passo na marcha da vida, lembrar-se da retidão, dos costumes e do avanço sempre na direção da luz, do conhecimento e da sabedoria. Qualquer atitude sem retidão não é duradoura e nos leva à ilusão.
  • Reto viver: consiste em atuar na vida profissional e pessoal de forma correta o tempo todo. Após corrigirmos o curso de nossas atitudes individuais, temos de escolher um meio de vida correto, que nos habilite a sentirmos orgulho, jamais vergonha, do que fazemos. Mesmo se um político é totalmente sem vergonha, ele pode ao menos imaginar a vergonha que sentiria ao ser descoberto. Isso ajuda a dar um norte sobre qual é a melhor maneira de se viver corretamente.
  • Reto esforço: consiste em não se esforçar em projetos inúteis ou até mesmo malévolos em nome de esforços menos vãos. O que vemos de políticos empenhados em criar leis que facilitam a impunidade é prova absoluta de que a retidão não existe para essas pessoas. Ao se esforçarem para a aprovação de uma lei, como o projeto de abuso de autoridade (PL280),  que nada mais é do que uma forma bizarra de permitir que os políticos burlem outras leis sem jamais ficar impunes é prova de que o esforço deles é totalmente incorreto.
  • Reta atenção: essa virtude é essencial não apenas para os políticos corruptos brasileiros, como também para a população. Anestesiada, o povo brasileiro não vinha percebendo a corrupção ainda na devida forma. De 2015 para cá, com milhões de brasileiros nas ruas, percebe-se que o povo resolveu dar atenção ao problema. Desde então obtivemos o impeachment, mas sabíamos, desde sempre, que jamais o problema iria acabar por aí. Isso ocorre porque o povo está dando atenção aos demais problemas que existem. Ainda bem que é assim. Pois os políticos possuem muita atenção ao que fazem. Só não se trata de uma atenção reta, por isso é necessário ter uma atitude mais certeira.
  • Reta concentração: os políticos querem nos desagregar, nos atomizar e nos dispersar. Para isso, se utilizam de uma grande quantidade de projetos ardilosos para confundir a população. No entanto, se a população se concentra nas ideias e virtudes corretas, aos poucos esse problema vai sendo sanado.

O reto pensar seria o fim da vergonha e do medo

Para deixar de sentir raiva, medo, vergonha e dor, o reto pensar é o melhor caminho.

Passar vergonha, afinal, é fruto de um pensamento incorreto anterior. Não reconhecer essas relações de causa e efeito é um erro básico.

Outro erro básico é imaginar que a lei do kharma, conhecida por budistas, hinduístas e espiritualistas, está reservada apenas às próximas reencarnações, como querem crer alguns fiéis.

Bobagem: a lei do kharma pode se realizar no aqui e no agora. A cada ação, uma reação de direção contrária sempre ocorrerá.

Garotinho poderia ter repensado no que iria fazer anteriormente. Como não fez nada disso, agora sofre as consequências naturais de seus atos. Poderia ter evitado com pensamentos mais retos no passado.

O reto pensar evitaria atitudes sem o menor sentido

Lula e seus advogados resolveram pedir a prisão de Sérgio Moro por abuso de autoridade.

Tivessem os advogados e seus clientes um pensamento reto, dificilmente iriam por esse caminho.

Até porque ninguém, no Brasil, aceita a ideia de que Lula é de fato honesto, senão os mais radicais da extrema esquerda brasileira. Ninguém mais acredita no discurso de que o PT e Lula são honestos e probos.

Para nós, é evidente que esse pedido de prisão de Sérgio Moro é uma piada e, como tal, será encarada pelas autoridades vigentes. Ainda mais diante do cenário óbvio: Lula é que terminará na cadeia.

Pensar corretamente significa, acima de todo, ter uma visão ampla, racional, lógica e que faça sentido. Quando se começa a agir sem sentido, sem lógica e sem um pensamento reto anterior, o resultado é uma atitude sinuosa, vaga, desonesta e visivelmente inútil.

O reto pensar e os projetos de lei que destroem a impunidade

Os projetos de lei que apoiamos, como as 10 medidas, o fim do foro privilegiado, o corrupção nunca mais e o voto distrital e impresso são essenciais para destruir o pensamento torto.

O pensamento torto dos políticos acaba levando às atitudes bizarras que eles realizam.

Precisamos, sim, provocar de novo o medo e a vergonha nos políticos na fase do pensamento. Eles não podem ter a coragem de levar esses pensamentos obscuros à ação. Para isso, a simples existência desses projetos de lei já cumpre uma função disciplinar impressionante.

Estamos trabalhando por um país mais equilátero e mais retângulo, ou seja, mais justo e mais perfeito. Apenas dessa maneira teremos a condição de construir um país do qual possamos nos orgulhar, sem jamais nos envergonharmos de nossa classe política.

Que assim seja!

Deixe uma resposta